...

Preços Baixos do Petróleo Pressionam Megaprojetos Sauditas e Expõem Riscos Fiscais

A queda persistente nos preços do petróleo está colocando sob forte pressão os ambiciosos planos de investimento da Arábia Saudita, justo no momento em que o reino se prepara para desfazer os cortes na produção de petróleo a partir da terça-feira — uma medida que pode intensificar ainda mais a desvalorização da commodity no mercado internacional.

Notícias e Cobertura do Mercado Em Tempo Real Acesse: https://t.me/activtradespt

Com o barril de petróleo girando em torno de US$ 70 — bem abaixo dos US$ 91 estimados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como preço de equilíbrio para as finanças sauditas —, economistas alertam que o governo de Riad poderá ser forçado a adotar cortes de gastos mais severos que os 3,7% já previstos para 2025. A redução da produção de petróleo, liderada pelo príncipe Abdulaziz bin Salman desde 2020, perdeu eficácia diante da expansão da oferta global e da fraca demanda, frustrando os esforços para sustentar os preços em patamares elevados, de acordo com matéria do Financial Times.

Essa nova realidade coloca em xeque o gigantesco plano “Visão 2030”, promovido pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que busca transformar a economia saudita e reduzir sua dependência do petróleo.

  • Projetos emblemáticos como a cidade futurista Neom, resorts no Mar Vermelho e infraestrutura para eventos globais — como a Expo 2030 e a Copa do Mundo de 2034 — estão ameaçados por atrasos, cortes e incertezas financeiras.
  • “O que está em jogo é a capacidade do reino de sustentar um programa de investimentos massivo em um ambiente de receitas instáveis”, afirmou Monica Malik, economista-chefe do Abu Dhabi Commercial Bank. “Uma queda prolongada no preço do petróleo exigiria ajustes significativos, tanto no orçamento quanto nos planos de investimento.”

A Arábia Saudita prevê gastos de US$ 342 bilhões em 2025, contra receitas estimadas em US$ 315 bilhões — um déficit de US$ 26 bilhões. Para cobri-lo, o governo já iniciou captações no mercado, levantando US$ 18,4 bilhões em dívida apenas nos primeiros meses do ano.

  • Além disso, o Fundo de Investimento Público (PIF), principal financiador dos megaprojetos, também recorreu a emissões de dívida superiores a US$ 5 bilhões.
  • A gigante estatal Aramco, cuja receita é crucial para os cofres do reino, também sentiu o impacto: a empresa espera pagar US$ 85,4 bilhões em dividendos em 2025, uma queda de quase um terço em relação ao ano anterior.
  • Com o petróleo representando mais de 60% da arrecadação estatal, a dependência da commodity segue como uma vulnerabilidade central.

Embora reformas estejam em andamento — com aumento da receita não petrolífera e fortalecimento da nota de crédito do país pela S&P Global Ratings —, o governo saudita continua resistente a mudanças no regime tributário, como a introdução de impostos sobre propriedade ou renda pessoal, sugeridos pelo FMI.

  • “O verdadeiro teste para o equilíbrio fiscal saudita será onde o preço do petróleo se estabiliza ao longo do ciclo e o que acontece com a produção”, avaliou Simon Williams, economista do HSBC. “Com gastos crescendo mais rápido que a arrecadação não petrolífera, a dependência do petróleo persiste.”

Com prazos apertados para grandes eventos internacionais e ambições monumentais de infraestrutura — como estádios elevados a 350 metros do solo e estações de esqui em pleno deserto —, a Arábia Saudita pode se ver obrigada a recalibrar sua estratégia.

  • Por ora, o reino aposta em sua baixa dívida pública (29,7% do PIB) e reservas cambiais superiores a US$ 430 bilhões como escudos contra a turbulência.
  • Mas, em um cenário de petróleo mais barato por tempo prolongado, o ajuste fiscal poderá ser inevitável.

Notícias e Cobertura do Mercado Em Tempo Real Acesse: https://t.me/activtradespt

Mercado

Moedas

Economia