A nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos à China acentuou a tensão entre as duas maiores economias do mundo, com impactos profundos tanto para fabricantes chineses quanto para empresas e consumidores americanos.
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Para muitos, como Richard Chen, fabricante de decorações natalinas que fornece para gigantes como Walmart e Costco, a realidade agora é de sobrevivência. “Os pedidos são metade do que eram no ano passado”, afirma Chen, que opera no polo industrial de Dongguan. “Não há mais espaço para cortar preços. Mas, para conseguir encomendas, às vezes somos obrigados a aceitar reduções… não temos escolha. Estamos perdendo dinheiro.”
Desde 4 de fevereiro de 2025, o presidente Donald Trump impôs uma nova tarifa de 10% sobre US$ 400 bilhões em produtos chineses exportados anualmente para os EUA.
- Uma tarifa adicional de 10% foi anunciada em 4 de março, e novas medidas recíprocas são esperadas para 2 de abril.
- Diferente da primeira guerra comercial em 2018, o cenário atual é mais grave.
- Fabricantes de baixo custo já operam com margens extremamente apertadas, e muitos governos locais chineses, tradicionalmente fontes de subsídios e apoio, estão agora endividados devido à crise imobiliária, sem condições de fornecer incentivos.
Margens Desgastadas, Apoio Escasso
Desde 2018, os salários subiram entre 2% e 5%, os custos de matérias-primas aumentaram, e a concorrência global se intensificou. Agora, as novas tarifas de Trump ameaçam ser a gota d’água.
- Liz Picarazzi, CEO da Citibin, que fabrica caixas de lixo no Brooklyn, afirma que seus produtos feitos na China agora enfrentam tarifas totais de 52,5%. “Todo o meu modelo de negócio foi construído sobre uma tarifa de 7,5%. Foi um choque real”, diz ela.
- Com dois aumentos de 10% nas tarifas sobre produtos chineses e uma tarifa global de 25% sobre alumínio, ela afirma: “Não há como nenhuma empresa absorver 45% adicionais.”
- Fabricantes relatam que clientes americanos estão pressionando por cortes de preços de 10%.
- No entanto, fornecedores mal conseguem oferecer descontos de 3% a 7%.
- “A maioria das pessoas não tem 10% para dar. Talvez em um ou dois pedidos, mas 7% já é o limite”, diz Jonathan Chitayat, diretor da Genimex, que depende em 70% de clientes dos EUA.
Pagamentos Antecipados e Incerteza
Diante do histórico de calotes durante a guerra comercial anterior, muitos fornecedores chineses exigem agora pagamento integral antecipado. “Avisamos nossos clientes assim que Trump foi reeleito que todos os pagamentos deveriam ser adiantados. Prevíamos esse pesadelo tarifário”, disse Dominic Desmarais, da Liya Solutions.
- No entanto, as tarifas não afetam apenas negócios — elas ameaçam empregos.
- Segundo o economista He-Ling Shi, da Universidade Monash, muitas fábricas já decidiram fechar.
- Cálculos baseados em estudos de Stanford e Dartmouth sugerem que, só na guerra anterior, cerca de 3,5 milhões de empregos industriais foram perdidos na China.
- Ainda é cedo para estimar o impacto atual.
- Apesar de esperanças de que o governo chinês intervenha novamente com subsídios e incentivos, fornecedores relatam que até agora não houve ajuda. “Se não há dinheiro nos cofres, como fornecer subsídios?”, questiona Shi, apontando para a dívida crescente dos governos locais.
Realocação e Frustração
- Enquanto Pequim incentiva os exportadores a focarem no mercado interno chinês e em novas rotas comerciais, muitos fabricantes buscam realocação para países como Vietnã, Índia e México.
- A própria Citibin está migrando 100% da produção para o Vietnã, mas Picarazzi já avisou seus clientes: os preços vão subir.
- “Isso é algo realmente injusto que o governo americano está fazendo com as empresas e consumidores dos EUA”, lamenta. “Não há patriotismo em arruinar negócios americanos.”
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