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Powell Afirmou que o Fed Agirá Caso as Tarifas de Trump Elevem a Inflação

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou na sexta-feira que o banco central está pronto para agir caso os impactos econômicos das novas tarifas impostas pelo governo Trump levem a uma pressão inflacionária persistente, de acordo com matéria da Bloomberg.

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Em um discurso cauteloso, Powell reconheceu que os efeitos da nova política comercial devem ser “significativamente maiores do que o esperado”, tanto em termos de inflação quanto de desaceleração do crescimento econômico. “Embora a incerteza permaneça elevada, agora está ficando claro que os aumentos de tarifas serão significativamente maiores do que o esperado”, afirmou Powell durante a conferência anual da Society for Advancing Business Editing and Writing. “O mesmo provavelmente será verdade para os efeitos econômicos, que incluirão inflação mais alta e crescimento mais lento”, disse Powell.

Do transitório ao persistente

A declaração marca uma mudança de tom em relação à coletiva de imprensa de 19 de março, quando Powell classificou o impacto inflacionário das tarifas como transitório, expressou a Bloomberg.

  • Agora, o chefe do Fed admite que os efeitos podem se prolongar. “Embora as tarifas tenham grande probabilidade de gerar pelo menos um aumento temporário na inflação, também é possível que os efeitos sejam mais persistentes.”
  • Diante desse cenário, Powell reforçou o compromisso do banco central em manter as expectativas de inflação ancoradas. “Nossa obrigação é garantir que um aumento único no nível de preços não se transforme em um problema de inflação contínuo”, afirmou.
  • Ainda assim, destacou que o Fed está bem posicionado para “esperar por maior clareza” antes de decidir sobre eventuais ajustes na política monetária.

Choque tarifário e pressão política

As declarações de Powell acontecem em um momento delicado, após o presidente Donald Trump anunciar um conjunto abrangente de tarifas “recíprocas” sobre importações globais, com alíquotas de até 34% para países como China, Japão e Alemanha.

  • A Bloomberg Economics estima que essas medidas podem elevar a tarifa média efetiva nos EUA para cerca de 22%, ante 2,3% em 2024.
  • O impacto já se faz sentir nos mercados. O S&P 500 acumula queda de 11% no ano, e os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos recuaram para abaixo de 4%, refletindo temores de desaceleração.
  • Ainda na sexta-feira, Trump pressionou publicamente Powell em sua rede Truth Social: “CORTE AS TAXAS DE JUROS, JEROME, E PARE DE BRINCAR DE POLÍTICA!”

Fed entre inflação e crescimento

O Fed agora enfrenta o desafio de equilibrar seu duplo mandato: manter a estabilidade dos preços e o pleno emprego.

  • As tarifas impostas por Trump dificultam ambos os objetivos.
  • Tarifas funcionam como um imposto sobre importações, elevando o custo de bens e serviços, o que pressiona a inflação.
  • Ao mesmo tempo, margens de lucro menores podem reduzir o investimento e as contratações.
  • Dados divulgados nesta sexta mostraram que os EUA criaram 228 mil empregos em março, acima do esperado, mas a taxa de desemprego subiu para 4,2%.
  • Alguns analistas, no entanto, relativizaram o impacto do relatório de emprego diante do novo contexto comercial.
  • Para Powell, a economia “ainda está em um bom lugar”, mas os riscos estão aumentando.
  • O mercado futuro já precifica até quatro cortes na taxa de juros neste ano, mas Powell sinalizou que qualquer movimento dependerá de como a inflação e as expectativas se comportarem diante do novo choque tarifário.

Cenário incerto

Caso os aumentos de preços decorrentes das tarifas provoquem efeitos secundários duradouros e alimentem expectativas de inflação, o Fed pode ser forçado a manter ou até elevar os juros, mesmo diante de uma economia em desaceleração.

  • Por outro lado, se o impacto for concentrado em um choque único de preços com perda de dinamismo econômico, cortes nos juros poderão voltar ao radar — embora com prudência e atraso.

Com a próxima reunião do Fed marcada para os dias 6 e 7 de maio, os investidores devem acompanhar de perto a evolução dos dados e o tom dos próximos discursos do banco central. A política comercial de Trump, agora firmemente no centro do debate econômico, promete desafiar os planos do Fed e reacender incertezas nos mercados globais.


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